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Nossa Hístoria

 O começo…

Em 1980 surgiram os primeiros casos de Aids no Brasil. Uma doença devastadora e até então sem nenhuma perspectiva de tratamento, pois não havia medicamentos. A doença atacava o sistema imunológico das pessoas, deixando-as vulneráveis a outras doenças e o organismo não conseguia combatê-las, tornando-se assim um problema letal que levava a morte em poucos anos ou até meses.

Fátima Castro

 Nos idos de 1988/89 – Na cidade de Campos dos Goytacazes Fátima de Castro recebe em sua residência uma mulher, cujo nome, não será citado em respeito a sua memória e a de seus descendentes. Tratava-se de uma pessoa sem vícios, casada e mãe de seis filhos. Comovida, Fátima resolve levá-la para casa. A família foi contra, mas não ouve outro jeito a não ser acolhê-la. Nesse momento começa a se desenhar uma nova história sobre acolhimento ao paciente de Aids em Campos/RJ.

Durante dois anos a jovem senhora fora acometida por várias infecções que, após tratamento, desapareciam, mas logo retornavam. Deixando Fatima apreensiva… Diante deste cenário o médico Dr Paulo Gustavo revelou a possibilidade da paciente ter contraído HIV, doença até então direcionada a homossexuais, prostitutas e usuários de drogas. Mesmo não estando no “grupo de Risco” a mulher foi submetida ao teste “Elisa”, cujo resultado deu “Reagente”.

O quadro clínico da paciente piorava gradativamente e ela foi internada no Hospital Ferreira Machado, ficando aos cuidados da equipe do infectologista Dr. Nélio Artiles. Ela veio a óbito em junho de 1999.

Nas idas e vindas ao Hospital Ferreira Machado Fátima teve contato com dois pacientes que estavam de alta médica, mas não tinham para onde ir. Compadecida com a situação aluga uma casa no bairro de Nova Brasília em Campos com a colaboração de Jofre Batista. Aos poucos a casa é equipada, e recebe ajuda de alguns amigos…

O proprietário descobre que os inquilinos eram doentes de Aids, pede o imóvel, e ateia fogo… Outra casa é alugada no bairro Jardim Carioca – Rua Santo Antônio, 44 (atual sede). Novamente a intolerância e a falta de solidariedade dos vizinhos. Eles fizeram abaixo assinados para tirar os pacientes do novo endereço. O preconceito imperava, e isso impedia que os garis recolhessem os lixos da instituição… Época em que a população tinha medo de tudo e, cuidar dos soropositivos era um trabalho solitário…

Para entender as nuances do HIV, Fátima vai à ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids) no Rio de Janeiro para falar com o sociólogo Herbert de Souza (Betinho) que contraiu o HIV na transfusão de sangue contaminado. Neste encontro recebeu valiosas informações sobre a doença, e passa a palestrar sobre formas de contagio do HIV/Aids.

Em 19/12/1992 a Associação Irmãos da Solidariedade passa a existir juridicamente. A instituição é uma Organização Não Governamental, sem fins lucrativos que acolhe, abriga, assiste e defende os interesses dos indivíduos que vivem com Hiv/Aids que perderam a referência familiar, ou que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica; em especial pobreza e exclusão social.

Varias mudanças ocorreram no espaço físico da entidade, melhorando a infraestrutura. O que possibilita melhor atendimento e acolhimento ao portador de HIV/Aids. Essas transformações só foram possíveis porque o imóvel foi doado pelo ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Sergio Mendes.