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Apesar do HIV há Vida.

Na história da medicina são raros os registros de uma doença que tenha mudado tanto quanto suas características, quanto a aids. Na década de 80, estar com o vírus, representava sentença de morte imediata. Entre o diagnóstico e a fase terminal decorriam-se poucos meses e não havia muito que fazer. Com a chegada ao mercado do primeiro remédio anti-HIV, o AZT, lançado em 1986, o soropositivo passou a viver mais. Parecia um bálsamo, um alívio, enfim, um medicamento capaz de afugentar o fantasma que assolava a humanidade.

Com o coquetel anti-aids era possível ter uma recuperação do sistema imunológico combinado mais de dezessete drogas entre si em quatro categorias distintas. O coquetel chegou como uma grande esperança, porém, o resultado foi tornar a doença mortal em doença crônica.

Os anti-retrovirais prolongam a vida dos soropositivos, dando-lhes qualidade de vida maior e melhor, reavivando os sonhos e projetos de quem vive com HIV/aids.

Como nem tudo são flores, há o enfrentamento de todos (humanidade) diante das doenças metabólicas. A doença metabólica é um campo investigativo novo, e ainda não se desvendou o motivo de todos os males metabólicos, porem, já se sabe que alguns medicamentos dos inibidores de protease dificultam a absorção das moléculas de gorduras pelas células “Como tais medicamentos tem uma estrutura molecular muito parecida com as enzimas que quebram a gordura, o organismo se confunde e essas enzimas perdem a função, com isso sobra gordura na corrente sanguínea, outros remédios do coquetel podem dificultar a ação da insulina no organismo facilitando o surgimento da diabetes, salientou o diretor da Sociedade Brasileira de medicina de Cardiologia do Instituto do Coração (Incor) Dr. Bruno Carrmelli (Cardiologista).

Pesquisas recentes indicam que depois de muito tempo no organismo o HIV danifica a parede dos vasos sanguíneos, deixando-os mais suscetíveis ao acúmulo de placas de gordura. Uma das primeiras e mais conclusivas pesquisas sobre o assunto foi publicado em 2004 na revista especializada Circulation, da Associação Americana do Coração.

Assim como ocorre com a população em geral, em portadores de HIV as doenças metabólicas podem ser revertidas com mudanças no estilo de vida. Basta aderir a uma dieta saudável e a pratica regular de exercícios físicos. Isso faz com que baixe os níveis de gordura no sangue. Um dos poucos trabalhos sobre o impacto dessas mudanças nas taxas de triglicérides e de LDL, entre os infectados pelos vírus, foi realizado por médicos do Incor, em parceria com a o hospital das Clinicas (RIO).

Ter uma dieta balanceada, praticar caminhada de quarenta minutos quatros vezes por semana e abandonar o cigarro compõe uma rotina capaz de, em dois meses, normalizar as taxas de gorduras no sangue de 20% dos soropositivos em tratamento com o coquetel. Depois desse período, aos que não conseguiram aderir a um estilo de vida saudável ou não conseguiram atingir a normalidade, receberam medicamentos específicos para o controle de doenças metabólicas. Em cinco meses, todos estavam com taxas normais de colesterol e triglicérides.

Apesar dessas angustias podemos perceber que há vida sim depois de se contrair AIDS, e como, basta que o soropositivo tenha consciência da sua sorologia e cumpra a risca tudo, exatamente como seu infectologista prescrever. Não existe ninguém melhor para avaliar seu organismo do que seu médico!

A mudança de vida é vital para que todas essas drogas façam efeitos minimizando a proliferação do vírus no organismo.

Mais uma vez é o paciente que vai ter que negociar esse turbilhão de informações e tentar seguir em frente, porque para muitas pessoas a aids não é o fim, e sim, o recomeço. Digo isso com conhecimento de causa, pois vivencio essas incertezas e medos tanto quanto assistente social e presidente da única casa de apoio ao soropositivo do Município.